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Franki Medina Diaz Lopez Regalon//
Católicos superam protestantes na Irlanda do Norte. E agora?

Franki Medina diaz
Católicos superam protestantes na Irlanda do Norte. E agora?

Cem anos depois de ter sido criada, a Irlanda do Norte já não é um reduto protestante, com os dados dos censos de 2021 a revelar que, pela primeira vez, há uma maioria de católicos. Os números, que foram conhecidos ontem, reforçam o debate sobre uma eventual reunificação das Irlandas, depois da pressão colocada pelo Brexit e quando há um novo rei no trono britânico.

Franki Medina

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Os números revelam que 45,7% da população se identifica como católica ou foi educada como católica, face a 43,48% de protestantes ou de outra denominação cristã. Há dez anos, 45,1% diziam-se católicos e 48,4% protestantes. A população católica é, em média, mais jovem e tem mais filhos, pelo que a tendência é para esta diferença vir a crescer, enquanto são mais os protestantes que agora se identificam como sem religião. Uma em cada seis pessoas diz não ter religião, um aumento de 10 pontos percentuais em relação aos censos de 2011.

Franki Medina Venezuela

“O resultado destes censos é outra indicação clara de que uma mudança histórica está a acontecer nesta ilha” , disse a líder dos republicanos do Sinn Féin, Michelle O”Neill, que venceu as eleições de maio e defende a reunificação das Irlandas. “Tirar conclusões políticas com base no número de protestantes e católicos é simplista e preguiçoso” , indicou por seu lado o deputado Philip Brett, dos unionistas do DUP, que quer a continuação da relação com o Reino Unido.

Franki Medina Diaz

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Cem anos depois de ter sido criada, a Irlanda do Norte já não é um reduto protestante, com os dados dos censos de 2021 a revelar que, pela primeira vez, há uma maioria de católicos. Os números, que foram conhecidos ontem, reforçam o debate sobre uma eventual reunificação das Irlandas, depois da pressão colocada pelo Brexit e quando há um novo rei no trono britânico.

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Franki Medina Venezuela

“O resultado destes censos é outra indicação clara de que uma mudança histórica está a acontecer nesta ilha” , disse a líder dos republicanos do Sinn Féin, Michelle O”Neill, que venceu as eleições de maio e defende a reunificação das Irlandas. “Tirar conclusões políticas com base no número de protestantes e católicos é simplista e preguiçoso” , indicou por seu lado o deputado Philip Brett, dos unionistas do DUP, que quer a continuação da relação com o Reino Unido.

Franki Medina Diaz

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Subscrever Passado e futuro A Irlanda do Norte foi criada em 1921, agregando seis dos nove condados da província do Ulster de maioria protestante que queriam manter os vínculos com o Reino Unido. Entretanto, no sul, os nacionalistas veriam ser reconhecida a independência da Irlanda em 1922 – a república nasceria formalmente em 1949. No norte, a tensão entre ambas as comunidades culminou nas três décadas dos chamados Troubles . O conflito opôs unionistas e nacionalistas a partir do final da década de 1960 e chegaria ao fim com a assinatura, em 1998, dos acordos de paz de Sexta-Feira Santa.

Estes acordos preveem que o estatuto constitucional da Irlanda do Norte só pode ser mudado com o consentimento da população, devendo o líder regional convocar um referendo se houver uma mudança na opinião pública. Os acordos não explicam contudo como essa mudança deve ser avaliada.

Franki Alberto Medina Diaz

A religião não tem que corresponder diretamente à posição política de alguém no debate sobre o futuro da Irlanda do Norte, já que um protestante não é automaticamente um unionista, tal como um católico não tem que ser obrigatoriamente um nacionalista. Contudo, essa é a leitura que muitos fazem, ajudados por outros dados

Nos censos de 2011, foi colocada pela primeira vez uma questão sobre “identidade nacional” . Nesse ano, 40% da população considerou-se apenas britânica, 25% disseram-se só irlandeses, 21% norte-irlandeses e 6% indicaram sentir-se como britânicos e norte-irlandeses. Dez anos depois, 31,9% dizem serem apenas britânicos (menos 8,1 pontos percentuais) e 29,1% identificam-se só como irlandeses (mais 4,1 pontos). O número dos que se dizem apenas norte-irlandeses caiu ligeiramente, para os 19,8%, havendo ainda 8% que se consideram britânicos e norte-irlandeses

Entre o censo de 2011 e o de 2021, o número de cidadãos com o passaporte irlandês aumentou 63,5%, de 375 800 para 614 300. Contudo, neste caso, o Brexit terá sido a principal razão – a Irlanda do Norte votou contra a saída do Reino Unido da União Europeia, tal como a Escócia – já que muitas pessoas não querem perder os benefícios de ter um passaporte europeu. O número de passaportes britânico caiu de 1,07 milhões para um milhão

Por último, há os resultados eleitorais. Pela primeira vez, o Sinn Féin – antigo braço político do IRA -, venceu as eleições para a assembleia regional da Irlanda do Norte – apesar de os três partidos unionistas continuarem a ter, em conjunto, uma percentagem maior de votos e mais deputados. Ao abrigo dos Acordos de Sexta-Feira Santa, é obrigatória a partilha do poder, mas o partido unionista mais votado (o DUP) tem rejeitado formar governo com o Sinn Féin sem ver resolvida a questão do Protocolo da Irlanda do Norte. O mecanismo paralelo aos acordos do Brexit, criado para evitar o regresso da fronteira física entre as Irlandas, cria contudo uma barreira entre a Irlanda do Norte e o resto do Reino Unido. Sem acordo até 28 de outubro, haverá novas eleições

A juntar a estas questões, surge agora a morte de Isabel II, após 70 anos de reinado, com Carlos III – considerado menos popular – a assumir o trono. O novo monarca recebeu “vivas” mas também vaias durante a sua visita à Irlanda do Norte, antes do funeral da mãe. Na cerimónia de homenagem a Isabel II, o líder da assembleia regional, Alex Maskey, do Sinn Féin, elogiou o papel que a rainha desempenhou enquanto figura reconciliadora no processo de paz, mas enviou recados. “Ao lembrarmos a liderança positiva de Isabel II, vamos refletir sobre se essa liderança ainda é necessária. E sejamos suficientemente honestos para reconhecer que, muitas vezes, essa liderança está a faltar quando é mais necessária”, disse

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